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Liberdade: O Peso das Escolhas e o Engano dos Desejos



Você é Livre? Essa pergunta nos leva a uma reflexão profunda sobre o que é a liberdade e como, muitas vezes, somos enganados pelas nossas próprias percepções e desejos. A frase de Humberto Gessinger "Pensei que era liberdade, mas na verdade eram as grades da prisão" (sim, estou fazendo referencia à Engenheiros do Hawaii em um texto reflexivo) já nos aponta que a liberdade não é algo simples de se conquistar. Não é apenas fazer o que se quer, nem seguir todos os impulsos e vontades. Na verdade, essa concepção de liberdade, como um caminho de seguir desejos sem limites, pode nos tornar prisioneiros de nós mesmos.

A Liberdade e a Escravidão dos Desejos

O primeiro ponto importante a destacar é que fazer tudo o que se deseja não é liberdade, mas um tipo de escravidão. Quando seguimos cegamente nossas vontades, ficamos presos em um ciclo de satisfação imediata, como se nossa existência dependesse apenas de alimentar esses impulsos. É um paradoxo: ao buscarmos liberdade através da realização de todos os nossos desejos, acabamos reféns deles.

Imagine que alguém viva acreditando que "só se vive uma vez" e, por isso, precisa aproveitar cada oportunidade para fazer o que quer, sem limites ou reflexão. Essa pessoa se sente livre enquanto segue esse caminho, mas o preço dessa "liberdade" é alto demais. Ela descobre, mais tarde, que essas escolhas imediatistas trouxeram arrependimentos, solidão e até mesmo um vazio existencial. Afinal, quando vivemos apenas para satisfazer vontades, acabamos perdendo o controle da direção que queremos dar à vida.

A verdadeira liberdade não está em fazer tudo o que se quer, mas em ter a capacidade de dizer "não" aos desejos que não nos levam a algo positivo. É poder escolher o que é necessário, o que é certo, mesmo que vá contra o que o impulso do momento diz. Liberdade é domínio próprio, e isso exige maturidade e coragem para agir de forma diferente do esperado.

Liberdade e Segurança: O Paradoxo

Outro ponto interessante para reflexão é a relação entre liberdade e segurança. Muitas vezes, as pessoas associam a ideia de segurança a uma forma de liberdade. Por exemplo, conquistar estabilidade financeira ou um concurso público pode trazer a sensação de estar seguro. A estabilidade, nesse caso, parece ser uma porta para a liberdade, porque livra a pessoa de preocupações constantes como pagar as contas ou perder o emprego. Porém, precisamos refletir: será que segurança e liberdade estão sempre alinhadas?

Aqui entra uma analogia poderosa: imagine uma construção com altos muros, paredes grossas, guardas armados e sistemas de segurança impenetráveis. Parece o lugar mais seguro do mundo, certo? Contudo, essa descrição não é de um paraíso de liberdade, mas de uma prisão. A segurança, nesse caso, é justamente o que elimina qualquer possibilidade de liberdade.

Da mesma forma, na vida, a busca obsessiva por segurança pode acabar nos aprisionando. Quando evitamos correr riscos em nome de nos sentirmos seguros, podemos acabar presos em uma zona de conforto que limita nossas possibilidades. A segurança absoluta, assim como em uma prisão, pode nos proteger de ameaças externas, mas também nos impede de viver plenamente.

A Verdadeira Liberdade

Liberdade, então, não é a ausência de limites, nem a busca por segurança total. É a capacidade de fazer escolhas conscientes e viver de acordo com princípios que tragam sentido à nossa existência. Isso inclui abrir mão de certos desejos imediatos em favor de algo maior e mais importante.

Pense em alguém que se depara com uma tentação momentânea, mas consegue dizer "não" porque entende que essa escolha vai trazer consequências negativas. Essa pessoa está exercendo sua liberdade. Ela tem o poder de fazer o que deseja, mas opta por não fazer, porque sabe que existe algo mais valioso do que aquela satisfação passageira. Essa é a essência da liberdade: não ser escravo de impulsos, mas ser dono das próprias escolhas.

Liberdade e Solidão

A liberdade mal compreendida pode nos levar a nos afastarmos das pessoas e, no final, nos sentirmos isolados. A ideia de que ser livre significa não depender de ninguém pode ser uma armadilha que resulta em uma vida solitária.

A verdadeira liberdade inclui a capacidade de se conectar com os outros sem perder a individualidade. É compreender que viver em comunidade, ter responsabilidades e compromissos, não diminui a liberdade, mas a enriquece. Estar livre não é estar sozinho; é poder fazer escolhas autênticas sem abrir mão de quem somos e do que valorizamos.

Conclusão

A liberdade é um conceito mais profundo e complexo do que parece à primeira vista. Ela não está na satisfação de todos os desejos, nem na busca pela segurança absoluta, mas na capacidade de fazer escolhas conscientes, assumir responsabilidades e, muitas vezes, abrir mão de algo em prol de um bem maior.

Lembre-se: a ilusão da liberdade pode nos levar à prisão de nossos próprios impulsos e à solidão. Mas, ao entendermos que liberdade é o equilíbrio entre desejo e razão, entre segurança e risco, podemos finalmente nos libertar — não dos outros, mas de nós mesmos.

 
 
 

©2025 por Marcos Miranda.

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